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Legalização da Maconha no Uruguai, a Vergonhosa reação da ONU e a Política Anti-Drogas no Mundo

terça-feira, 17 de dezembro de 2013 |



A guerra contra a guerra às drogas é a única guerra que importa. A postura do Uruguai leva a ONU e os EUA à vergonha

Muitos pensam que as Nações Unidas fosse um lugar inofensivo de conversa oca, com empregos livres de impostos para burocratas que, de outra maneira, estariam desempregados. Agora percebemos que é uma força do mal. Sua resposta para uma tentativa verdadeiramente significativa para combater uma ameaça global – o novo regime de drogas do Uruguai – foi declarar que ele "viola leis internacionais".

Ver a maré mudar quanto às drogas é como tentar detectar um movimento de uma geleira. Mas ela está se movendo. O estatuto de quarta-feira foi introduzido pelo presidente uruguaio, José Mujica, "para livrar as futuras gerações desta praga". A praga não são as drogas em si, mas a guerra a elas, que coloca a juventude do mundo à mercê de traficantes criminosos e à prisão arbitrária. Mujica declarou-se um legalizador relutante mas determinado a "tirar os usuários dos negócios clandestinos. Nós não defendemos a maconha ou qualquer outro vício, mas pior que qualquer droga é o tráfico.
"

O Uruguai vai legalizar não só o consumo de maconha, mas crucialmente, sua produção e venda. Os usuários devem ser maiores de 18 anos e uruguaios registrados. Enquanto pequenas quantidades podem ser cultivadas privadamente, empresas vão produzir cânhamo sob licença estatal e os preços serão estabelecidos para minar traficantes. O país não tem um problema na escala da Colômbia ou México – apenas 10% dos adultos admitem usar maconha – e reforçam que a medida é experimental.

Esta abordagem comedida está muito à frente mesmo de estados americanos como Colorado e Washington, que legalizaram tanto o uso recreativo como o consumo medicinal da maconha, mas não a produção. Apesar da lei uruguaia não cobrir outras drogas, ao negar aos traficantes uns 90% estimados de seu mercado, a esperança é tanto minar o grosso do mercado criminoso e diminuir a efeito de porta de entrada a outras drogas pelos traficantes.

A coragem de Mujica não deveria ser menosprezada

Seu país é um país levemente antiquado, e dois terços dos entrevistados se opuseram à medida, apesar disto ser acima de 3% uma década atrás. Além disso, alguns lobbies pró-legalização se opõem à nacionalização de facto. Uma questão em aberto é se um cartel estatal será tão eficaz como o livre mercado regulado. Mas o secretário de drogas, Julio Calzada, é contundente: "Há 50 anos nós estamos tentando tratar o problema das drogas apenas com uma ferramenta – penalização – e isso fracassou. Como resultado, temos mais consumidores, organizações criminosas maiores, lavagem de dinheiro, tráfico de armas e danos colaterais."

A resposta do Painel Internacional de Controle de Narcóticos da ONU (International Narcotics Control Board) foi entoar clichês fúteis. A medida, disse o diretor Raymond Yans, “colocaria em perigo os jovens e contribuiria para um prematuro início de dependência”. Ela também estaria rompendo com "um tratado universalmente aceito e aprovado". Apesar disso, a ONU admite que meio século de tentativa de supressão levou a 162 milhões de usuários de maconha no mundo todo, ou 4% da população adulta total .

Mujica, com seus 78 anos, nota a ironia que muitos de seus contemporâneos sul-americanos concordam com ele, mas só após deixarem o governo. Fernando Henrique Cardoso, do Brasil; Ernesto Zedillo, do México; e César Gaviria, da Colômbia, todos eles propõem a descriminalização do mercado de drogas para que possam começar a regular um comércio cujos operadores rivais estão matando milhares de pessoas todos os anos.

O valor do tráfico de drogas só é menor que o do tráfico de armas . Mesmo assim, os EUA resistem à descriminalização para que possam continuar a combater a produção de cocaína e ópio na América Latina e Afeganistão, para evitar enfrentar o verdadeiro inimigo: o consumo doméstico, que está fora de controle.

Por tudo isso, a futilidade da supressão está levando a leis decadentes no ocidente. Vinte estados norte-americanos legalizaram o uso medicinal da maconha. A Califórnia rejeitou por pouca margem taxar o consumo (recusando algo em torno de 1,3 bilhão de dólares em receita anual) e ainda pode voltar atrás. O uso de drogas é aceito em boa parte da América Latina e, de fato, na Europa. Mesmo na Inglaterra, onde a posse pode ser punida com cinco anos de prisão, apenas 0,2% dos casos julgados resultam em tal sentença. Os usuários de drogas mais intensos estão nas próprias prisões do estado. A lei efetivamente desabou.

A dificuldade agora é resolver a inconsistência de autoridades "fazendo vista grossa" ao consumo enquanto deixam a oferta (e assim, o marketing) não taxado e não regulado nas mãos dos traficantes de drogas. Isto é quase um subsídio estatal ao crime organizado. A indulgência pode salvar a polícia e os tribunais do custo da aplicação da lei, mas deixa todas as ruas abertas a um enorme risco, da maconha ao uso de drogas pesadas.

Acabar com esta inconsistência requer ação dos legisladores. Mas eles continuam reféns de uma combinação legal de tabu, tribalismo e medo da mídia. A política britânica quanto a todos os entorpecentes e narcóticos (do álcool ao benzodiazepam) é caótica e perigosa. O governo admitiu na quinta-feira sua incapacidade controlar as "drogas legais", novas, inventadas toda semana. Eles estão correndo com laboratórios ambulantes mostrando mandados de prisão e proibição como os Keystone Cops.

A catástrofe de morte e anarquia que a fracassada supressão de drogas levou ao México e a outros narcoestados faz a obsessão ocidental com a guerra às drogas parecer uma atração secundária insignificante. O caminho para fora desta escuridão está sendo mapeado não no velho, mas no novo mundo, cujos heroicos legisladores merecem receber um prêmio Nobel da paz. Foram eles que assumiram o desafio de combater a guerra que realmente importa – a guerra contra a guerra às drogas. É significativo que os países mais corajosos são os menores. Graças a Deus pelos países menores.

Traduzido por Vila Vudu

Revisado por Jahaísa e Admin

Fontes:
- The Guardian: Heroic Uruguay deserves a Nobel peace prize for legalising cannabis
- BBC: Uruguay marijuana move 'illegal' - UN drugs watchdog
- The Washington Post: After legalizing marijuana, Washington and Colorado are starting to regulate it
- The Verge: Uruguay creates world's first nationalized marijuana market
- The Guardian: Uruguay's likely cannabis law could set tone for war on drugs in Latin America
- UNODC: World Drug Report 2013 - PDF
- Procon Medical Marijuana: 20 Legal Medical Marijuana States and DC
- Gov UK: Drugs penalties
- The Guardian: Ministers look at new solution to legal highs

5 comentários:

Fernando Negro disse...

Os EUA não estão no Afeganistão para combater o tráfico. Foram para lá para restaurar o mesmo, depois dos Taliban terem destruído as plantações de ópio.

E, a legalização das drogas, para além de ser uma péssima ideia, é um dos principais objectivos da NOM.

Leiam o "Admirável Mundo Novo", escrito por um membro da família Huxley. (https://www.youtube.com/watch?v=S7_YFKyhQMI)

A única razão pela qual isto ainda não foi feito noutros países, é devido ao bom-senso que a maior parte das pessoas ainda tem.

Nos Países-Baixos, a erva é legal e as novas gerações de lá são notoriamente conhecidas, aqui na Europa, por serem "gerações perdidas" de alcoólicos e drogados.

Fico, ao menos, contente com a parte de ser uma medida experimental, no Uruguai. Pois, irão constatar que não é nada uma boa ideia o que estão a fazer.

Thiago F disse...

Fernando Negro. Se você realmente tivesse lido o livro ´´O admirável mundo novo`` saberia que Huxley não estava criticando o uso de drogas, e sim a cultura consumista. O consumo de SOMA te deixa em estado de ecstasy, facilitando assim o controle das pessoas. Porem não existe droga química que possua todas as propriedades descritas no livro, portanto o SOMA ainda não existe. A substituição da repressão as drogas pelo controle legal trara muitos benefícios ao mundo ( sendo que alguns pontos positivos foram destacados no post) e se você realmente acha que a situação atual esta boa você deve ser no minimo um ignorante. A NOM não vai querer liberar as drogas porque elas acarretam efeitos colaterais severos que resultam na incapacitação e morte.

otton_universo disse...

" É de se pensar muito pra se ter uma posição: Doa o salário quase que total, [segundo as informações], e de repente uma ideia que deixa um balanço de dúvidas e sobretudo, amedronta ou, espanta. O que vem por trás disso ser legalizado e como irá ser o procedimento dessa coisa. No Brasil não teríamos essa organização, tanto pelo contigente de usuário completamente sem cultura e envolvidos em curtir a coisa e usar a coisa como meta de delinquência. É muito complicado. Acompanharemos o Uruguai em sua mais nova investidura !!!

Fernando Negro disse...

Leiam o que tem a dizer sobre esta questão das drogas aquele que é, de longe, um dos melhores denunciadores da NOM - o investigador Daniel Estulin, cujo primeiro (e único) livro que foi publicado aí, no Brasil, acabou por ser censurado: http://www.danielestulin.com/2011/05/13/drogas-sa/

A violência no México é uma retaliação pelo facto do governo lá estar a tentar seriamente eliminar as drogas.

E, nos outros países, a dita "guerra contra as drogas" não resulta em nada porque é mais uma "guerra" de farsa. Os governos ocidentais não têm interesse em acabar com as drogas. Pois, para além de servirem o propósito de estupidificar as pessoas, são imensamente importantes para "lubrificar" a sua economia. (Leiam o que tem a dizer sobre isto o ex-polícia de Los Angeles, especializado em narcóticos, Michael C. Ruppert: http://www.fromthewilderness.com/free/ww3/index.shtml#drugs)

E, oiçam também o que teve a dizer sobre isto uma outra pessoa que viveu bem dentro do mundo do tráfico de drogas: https://www.youtube.com/watch?v=LG8XNFPBPUs

YANTRA. Bem Estar. disse...

Na minha opinião quando você lê Huxley, por exemplo, tem a nítida certeza que ele não está falando de drogas "naturais" aquelas que estão na humanidade centenas de anos que eram usadas pelos povos antigos como, por exemplo, cannabis, coca, ópio, mescalina, etc...estas drogas estão na humanidade não de hoje, e sinceramente as sociedades mais bem desenvolvidas como egípcios, assírios, arianos, etc. usavam maconha, cogumelos mágicos, mescalina e outros. Então na minha opinião essas plantas de poder são combatidas e demonizadas justamente porque abrem a consciência do ser humano, diferente das drogas sintéticas criadas pelos laboratórios farmacêuticos, essas sim "estupidificam" a sociedade, basta ver o que os benzodiazepinicos, Rivotril, etc. etc. estão fazendo com as pessoas, e a febre que temos do uso dessas drogas.

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